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Historial da Biblioteca dos Operários e Empregados da Sociedade Geral

A 1 de Janeiro de 1947 torna-se realidade o sonho de um grupo de trabalhadores, que era a formação de uma biblioteca no seu seio, com a finalidade de contribuir para o desenvolvimento dos trabalhadores em geral.

   Começou com um grupo limitado de trabalhadores (fundadores) dos quais a maior parte já  faleceram. Assim adquirindo livros às suas expensas, e como estante um caixote de madeira que era transportado de navio para navio, com o objectivo de melhor servir todos os seus associados. Desta forma se foi desenvolvendo em número de livros e associados o que implicou a insufeciência do caixote, nem ser possível o seu transporte de navio para navio. Foi então que grande número de livros passaram a ser guardados em casa de um dos fundadores, que dava assistência aos associados.

   Como já não houvesse possibilidade de termos todos os livros em casa do sócio fundador, fez a direcção um armário estante e foi posta na oficina dos compressores, situada no antigo Armazém B, doca de Alcântara. Não parou o desenvolvimento da nossa biblioteca, ao ponto de necessitarmos de casa para sede social.

   Colocou-se o problema à Administração da Sociedade Geral (S.G.) que compreendendo a utilidade da nossa biblioteca para os trabalhadores, nos facilita uma casa na rua Fradesso da Silveira, que foi sede do grupo os Unidos, mas que já se havia extinto, estando por conseguinte a casa vaga, que serviu então para a primeira sede da Biblioteca. De crescimento em crescimento, começamos a fazer cursos de alfabetização de quatro anos, aos trabalhadores da S.G., com grandes resultados e ainda a dar apoio aos trabalhadores estudantes em cursos secundários. Este apoio, era dado em comprar alguns livros para esses trabalhadores estudantes, e ainda o apoio dos mais adiantados nos cursos secundários, a alguns trabalhadores que sairam dos cursos de alfabetização para o ensino secundário, com bons êxitos.

    As direcções da Boesg davam conta a todos os associados, de todo o trabalho realizado, através de Boletins Culturais, o que levava sempre ao aumento de sócios.

  Realizavam-se também pelo Natal festas para os filhos dos associados e distribuição de brinquedos e lanches.

   Constituíram-se também diversas secções, tais como: Ping-Pong, Xadrês, Damas, Campismo e ainda futebol, mas esta era exclusivamente convívio entre os seus próprios associados e trabalhadores das diversas secções que compunham a S.G. . Entre estas actividades contam-se também visitas culturais a diversas empresas do grupo C.U.F. até ao estrangeiro.

   Mantivemo-nos na rua Fradesso da Silveira até que o prédio foi demolido e assim, em Julho de 1960, muda-se a nossa sede para a Rua das Janelas Verdes, 13-1ºesquerdo, onde ainda se mantém, com todas as secções ainda em actividade, e mais, a abertura da Boesg a outras empresas do grupo C.U.F., tais como: Lisnave, EN2, C.N.N. E ainda ao bairro da freguesia de Santos O Velho. Tentámos também abrir às freguesias que circundam a Boesg, das quais só Santos O Velho aderiu.

   Neste momento temos 600 (?) associados e mais de 6000 livros.

  Durante a vida da nossa biblioteca, fomos honrados com a presença de diversas personalidades literárias, em conferências e colóquios, tais como: Vergílio Ferreira, Fernando Namora, Ferreira de Castro, Alves Redol, Alvaro Salema, Assis Esperança, Fernanda de Castro, Mário Neves, etc. .

  Organizámos exposições de pintura, de livros, de escultura, projecções de filmes, slides.

Um boesguiano anónimo

BOESG Rua da Penha de França 217